sábado, 15 de junho de 2013


SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM - Adolescência
Texto: “Meu Primeiro Beijo” de Antonio Barreto                                                                                     Público Alvo: 9º ano (Ensino Fundamental)                                                                                       Tempo Previsto: 6 aulas                                                                                                                       Conteúdo e Temas: Características do Gênero Textual (Crônica Narrativa), Vocabulário, Foco Narrativo, Discurso e Linguagem utilizada.                                                                                                            Competências e Habilidades: Ler, reconhecer, desenvolver, ampliar as capacidades de leitura e de reflexão.                                                                                                                                          Estratégias: Leituras diversificadas (Individual, dramatizada, compartilhada). Discussões e debates a respeito do tema (Adolescência). Comparação de informações (Intertextualidade).                                                                                                                                     Recursos: Textos diversos. Vídeos. Uso de mídias (audiovisuais).                                                          Avaliação: Ficha Organizativa de Leitura.  Produção Textual.  Releitura da Produção Textual.                      Intertextualidade: Músicas "Beijo, Beijinho, Beijão" (Carrossel), "Beijo Bom" (Maria Cecília e Rodolfo) e "Beijinho Doce" (Chitãozinho e Xororó)                                                                                

ATIVIDADES - GRUPO (Prof. Gilson, Tânia e Noêmia).
ANTES (Ativação, antecipação do conhecimento prévio)                                                                                                                 O que é o beijo para você?                                                                                                                                    Que tipos de beijos você conhece?                                                                                                               Cite diferentes formas de beijos nas demais culturas:                                                                                                            Que sentimentos envolvem o beijo?                                                                                                                        O que se espera de um texto com o título “Meu Primeiro Beijo”?
DURANTE (Checagem, localização, comparação, produção)                                                                Leitura do Texto:                                                                                                                                              Faça o levantamento das palavras desconhecidas (vocabulário):                                                               Cheque os elementos narrativos: Quem? Quando? Onde? O que? Por quê?                                   Identifique o foco narrativo, justificando com trechos do texto:                                                                        Forme grupos (de até 4 alunos) para a dramatização compartilhada da leitura:                                                           
DEPOIS (Generalização, percepção)                                                                                                                           Produza um artigo de opinião a respeito do tema trabalhado (Adolescência):                                                        Faça a ficha organizativa e literária da Crônica, “Meu Primeiro Beijo”:

Situação de Aprendizagem Texto "PAUSA" Moacyr Scliar



Grupo 
  • EDIVANIA ANTONIA MORATTA
  • JEFFERSON BARBOSA DE SOUZA
  • MARCIA BATISTA PEREIRA
(EE Maria Antonieta Garnero La Fortezza)
  • ESTER PRESTES VIEIRA
(EE Manoel Ignácio da Silva)


Público alvo: 8ª série ( 9º ano)

Tempo previsto: de 2 a 4 aulas

Objetivos: implementar e aferir estratégias de leitura.

Tema: fuga da realidade

Conteúdos: traços característicos da crônica; explorar o gênero.

Competências e habilidades: síntese das capacidades de leitura; inferir em informações explícitas; relacionar símbolos com o sentido global do texto; pistas linguísticas responsáveis pela compreensão temática; intertextualidade.

Estratégias : trabalho escrito ou slides, vídeos, poema.

Atividades: I - compreensão do texto por meio de questões e desenvolver competências e habilidades antes, durante e depois da leitura;
II – Trabalhar sequência temporal, verbos (tempos verbais), advérbios de tempo e lugar.


ANTES DA LEITURA:
QUESTÕES:
  1. Já leu algum texto desse autor? Qual o gênero narrativo ele costuma escrever?
Habilidades a serem desenvolvidas: expectativa em função do autor (Moacyr Scliar está muito presente em livros didáticos, conhecido por suas crônicas baseadas, principalmente, em notícias. Isso faz com que o leitor crie expectativas em relação ao conteúdo).

  1. Levando-se em consideração o título, qual seria o assunto principal do texto?
Habilidades a serem desenvolvidas: antecipação do tema ou ideia principal a partir dos elementos paratextuais, como título, subtítulos, epígrafes, prefácios e sumários (Pedir aos alunos que reflitam e explicitem qual o significado do substantivo “pausa” para eles).

DURANTE A LEITURA:
QUESTÕES:
  1. Com que freqüência Samuel saía?
Habilidades a serem desenvolvidas: construção do sentido global do texto (Construção da sequência de ideias).

  1. Quanto tempo você acha que duram as ações do texto?
Habilidades a serem desenvolvidas: localização ou construção do tema ou da ideia principal (Antes de iniciar a leitura integral do texto, formular questões que os ajudem a compreensão dele).

3. Como é o relacionamento do casal? Justifique com um trecho do texto.
Habilidades a serem desenvolvidas: localização ou construção do tema ou da ideia principal (Antes de iniciar a leitura integral do texto, formular questões que os ajudem a compreensão dele).

4- Samuel saía sempre no mesmo horário?
Habilidades a serem desenvolvidas: identificação das pistas linguística responsáveis pela continuidade temática ou pela progressão temática (Nesse caso, há marcadores que indicam relações espaciais: “chegou mais cedo hoje”, “Todos os domingos tu sais cedo”, “Até domingo que vem...”).

5- Por que Samuel era chamado de Isidoro pelo funcionário do hotel?
Habilidades a serem desenvolvidas: construção do sentido global do texto (Trabalha-se a sequência de ideias; Compreender globalmente um texto significa fazer uso do conhecimento prévio, das inferências para preencher aquilo que não está explícito no texto).

APÓS A LEITURA:
QUESTÕES:

  1. Qual o espaço predominante do texto?

  1. Qual a relação entre o título e o texto?
Habilidades a serem desenvolvidas: construção da síntese semântica do texto (O leitor é capaz de parafrasear o que leu?Utilizando o esquema pergunta-resposta, verificar se o aluno compreendeu o que leu).

  1. Se você fosse o autor, qual final daria ao texto? Usaria o mesmo título? Justifique.
Habilidades a serem desenvolvidas: avaliação crítica do texto (Através das respostas, ele demonstrará se gostou ou não do texto lido, deixando claro qual o desfecho que gostaria que existisse).

Avaliação Oral: identificação do tema, compreensão de conteúdos não explícitos, síntese do texto de modo coerente.

Avaliação Escrita: ficha organizativa com os elementos da narrativa, produção de texto.

Intertextualidade:
“O rapto” – de Carlos Drummond de Andrade


Se uma águia fende os ares e arrebata
esse que é uma forma pura e que é suspiro
de terrenas delícias combinadas;
e se essa forma pura, degradando-se,
mais perfeita se eleva, pois atinge
a tortura do embate, no arremate
de uma exaustão suavíssima, tributo
com que se paga o vôo mais cortante;
se, por amor de uma ave, ei-la recusa
o pasto natural aberto aos homens,
e pela via hermética e defesa
vai demandando o cândido alimento
que a alma faminta implora até o extremo;
se esses raptos terríveis se repetem
já nos campos e já pelas noturnas
portas de pérola dúbia das boates;
e se há no beijo estéril um soluço
esquivo e refolhado, cinza em núpcias,
e tudo é triste sob o céu flamante
(que o pecado cristão, ora jungido
ao mistério pagão, mais o alanceia),
baixemos nossos olhos ao desígnio
da natureza ambígua e reticente:
ela tece, dobrando-lhe o amargor,
outra forma de amar no acerbo amor.

"O QUARTO" Van Gogh

A Terceira Margem do Rio
Guimarães Rosa

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.

Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.

Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.

Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.

No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.

Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.

A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.

Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.

Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.

Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.

Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.

Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 32
Obras de Salvador Dali – Surreal ( O sono)

Salvador Dali representa o sono como uma cabeça que lembra um enorme lençol,apoiada em muletas. No conjunto da tela há representações da realidade - casa,cachorro,mulher,barco - em um espaço indefinido. Dada a ausência de lógica,a cena lembra imagens de um sonho.

O sono pintado em 1937 por Salvador Dali retrata o  surrealismo pois transmite uma visão para alem de realidade, tem uma combinação adequada de cor, demonstra a imaginação do sonho e a alucinação. Nesta interpretação fantástica do sono, só se vê a cabeça da figura que dorme, contra um fundo de imagens oníricas. O equilíbrio delicado da figura indica que, se uma só forquilha faltar, ela acordará. Isso mostra a fragilidade do estado de sono. A atenção meticulosa de Dalí aos detalhes cria uma atmosfera de hiper-realismo. Como membro do movimento surrealista, ele promoveu a idéia do absurdo e o papel do inconsciente em sua arte. Embora frequentemente provocasse escândalo público, a reputação de Dalí e sua contribuição para a arte são inegáveis. Depois de trabalhar em Nova York e Paris, Dalí voltou para sua Espanha natal em 1955, lá se estabelecendo com sua companheira de longa data, Gala, de quem pintou vários quadros estranhos e maravilhosos.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

OUTRA APRENDIZAGEM DIDÁTICA

Situação de Aprendizagem
Texto: Avestruz
Grupo: Conceição
Avestruz
Maria Prata
REVISTA ÉPOCA

O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus 10 anos, um avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu os avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto. 

Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruz. E se entregavam em domicílio. 

E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. O avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar o avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa um avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase 3 metros - 2,70 para ser mais exato. 

Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí, assustando as demais aves normais. 

Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor! 

Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que, logo depois, Adão, dando os nomes a tudo o que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha. 

Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que os avestruzes vivem até os 70 anos e se reproduzem plenamente até os 40, entrando depois na menopausa. Não têm, portanto, TPM. Uma fêmea de avestruz com TPM é perigosíssima! 

Podem gerar de dez a 30 crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento. 

Ele insiste, quer que eu leve um avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer. 

Foi quando descobri que eles comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. Máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem. 

Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu. 

Pedi para a minha amiga levar o garoto a um psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.
Ilustração: Fido Nesti
PÚBLICO ALVO: 6º ano do Ensino Fundamental.
TEMPO PREVISTO: De 6 a 8 aulas.
CONTEÚDOS E TEMAS: Traços característicos do gênero textual crônica.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: Desenvolver e ampliar o conhecimento de leitura e interpretação.
ESTRATÉGIAS: Leitura e interpretação de crônica, apresentação e estudo de outros gêneros textuais como conto e fábula.
RECURSOS: Livros, cópia do texto O Avestruz, de Mário Prata, slides, data show.
AVALIAÇÃO: Produção textual de um conto com base na crônica O Avestruz, de Mário Prata.

SEQUÊNCIA DE ATIVIDADES
ANTES DA LEITURA.

HABILIDADE: Antecipação do tema ou ideia principal, a partir de elementos paratextuais, como títulos, subtítulos, epígrafes, prefácios, sumários.
1)    Se fôssemos ler um texto sobre animais, qual destes você escolheria:
(   )  Macaco
(   ) Avestruz
(   ) Cachorro.

HABILIDADE: Levantamento de conhecimento prévio sobre o assunto.
2)    Porque você escolheria ler um texto sobre esse animal?
HABILIDADE: Explicitação das expectativas de leitura a partir da análise dos índices anteriores.

3)    Apresentar o título da crônica para os alunos e questionar:
A) Pense nesse título e responda, que tipo de história você imagina que será lida?
B) Sobre o que vai fala?
C) O que é um avestruz?
D) Você já viu um avestruz? Já imaginou que outras serventias a ave tem, além do consumo? Conhece seus produtos e sabe para que são utilizados?

HABILIDADE: Expectativas em função do autor, ou instituição responsável pela publicação.
4)    Apresentar aos alunos uma pequena biografia sobre o autor Mário Prata.

HABILIDADE: Expectativa em função dos textos de capa, quarta-capa, orelha, etc.
5)    Apresentar aos alunos o livro de onde o texto foi tirado( apresentar capa, orelha, etc.)

HABILIDADE: Expectativa em função de formatação do gênero (divisão em colunas, segmentação do texto)
6)    Questionar os alunos sobre o que sabem sobre o gênero crônica.

DURANTE A LEITURA.
HABILIDADE: Confirmação ou retificação das antecipações ou expectativas de sentido criadas antes ou durante a leitura.
1)     Iniciar a leitura pelo título e questionar: O que você espera encontrar durante a leitura do texto?

HABILIDADE: Localização ou construção do tema ou ideia principal.
2)     Ler todo o primeiro parágrafo e questionar: suas respostas foram confirmadas? Sim ou não? Justifique.
HABILIDADE: Identificação das pistas linguísticas responsáveis pela continuidade temática ou pela progressão temática.
3)     Como o autor vai continuar o texto? Levante hipóteses. Que pistas o autor deixa,no texto, para que você pense assim?

HABILIDADE: Confirmação ou retificação das antecipações ou expectativas de sentido criadas antes ou durante a leitura.
4)     Ler o segundo, terceiro e quarto parágrafos, e verificar se o levantamento anterior está correto.

HABILIDADE: Construção de sentido global do texto..
5)     Finalizando a leitura diga quais características impedem que o avestruz seja uma ave de apartamento?

HABILIDADE: Busca de informações complementares em textos de apoio subordinados ao texto principal ou por meio de consulta a enciclopédias, internet e outras fontes.
6)     Fazer levantamento das palavras desconhecidas no texto.

DEPOIS DA LEITURA.
HABILIDADE: Construção de síntese semântica do texto.
1)    Ler o texto por partes retirando o último parágrafo, pedir para os alunos criarem um novo final para a crônica.

HABILIDADE: Troca de impressões a respeito dos textos lidos, fornecendo indicações para a sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições.
2)    Comparar a versão final (criada pelos alunos), com a versão original.



HABILIDADE: Troca de impressões a respeito dos textos lidos, fornecendo indicações para a sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições.
3)    Pesquisa de informações complementares em texto de apoio, ( diferente do literário,por exemplo texto científico).

HABILIDADE: Troca de impressões a respeito dos textos lidos, fornecendo indicações para a sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições.
4)    Levar para a sala de aula a Lei de defesa dos animais, e trabalhar leitura e interpretação com os alunos, e questionar: Com base na lei de preservação e defesa dos animais, seria correto ter um avestruz como animal doméstico?

HABILIDADE: Utilização em função da finalidade da leitura, do registro para melhor compreensão.
5)    Qual é a finalidade do texto:
(     ) Informar sobre a criação de avestruz;
(     ) Entreter o leitor;
(      ) Conscientizar sobre a preservação da espécie

SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM-SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS

                         TEXTO – AVESTRUZ
AUTOR – MÁRIO PRATA





GRUPO
CAMILA          MARIA ISABEL
EDUARDO                     NEIDE
ELAINE                      RAPHAEL
FLAVIANA             ROSEMEIRE

DIRETORIA DE ENSINO REGIÃO DE SUMARÉ
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM
6º AO 9º ANO

PROGRAMAÇÃO DA ATIVIDADE

§  OBJETIVO: desenvolver habilidades de leitura, compreensão e apropriação do gênero crônica.
§  AULAS PREVISTAS: de 2 a 4 aulas.
§  RECURSOS UTILIZADOS: textos, imagens, audiovisuais e informações sobre o ciclo de vida do avestruz.
§  COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: identificar o gênero crônica através da leitura e compreensão textual, desenvolvendo a capacidade de leitura.
§  AVALIAÇÃO: produção, individual ou coletiva, a partir do tema do texto.




ANTES DA LEITURA

§  Dinâmica dos Bichos (Escolha três animais, cada qual com três qualidades).
§  Levantamento do conhecimento prévio sobre o assunto:
ú  Questionar os alunos:
ú  Conhecem esse animal?
ú  Já viram? Como ele é?
§  Definição dos objetivos de leitura:
ú  Trabalhar com a definição (verbete) da palavra avestruz e mostrar imagens deste animal.
ú  O que o título do texto sugere? Por que uma crônica teria este título?
ú  Conhecem o autor, Mário Prata e/ou algumas obras dele?
ú   (trabalhar as informações a partir das respostas)
§  Apresentação de um vídeo sobre “avestruzes” para aguçar a curiosidade dos alunos – vídeo propaganda/reportagem – Criação de avestruz em Sobral.           
§  Recortar o texto em tirinhas para os alunos colocarem em ordem (coerência).

DURANTE A LEITURA

§  Fazer uma primeira leitura bem elaborada do texto.
§  Localização ou construção do tema ou ideia principal:
ú  Retomar a leitura, pausando trechos, fazendo questionamentos que induzam os alunos a tirarem conclusões a partir das informações já fornecidas pelo texto. (Exemplo: O que você faria numa situação como essa?)
§  Esclarecimento de palavras desconhecidas a partir de inferência ou consulta a dicionário:
ú  Trabalhar com inferências (locais e globais), criando oportunidades para que os alunos procurem inferir os significados a partir do contexto. (Exemplo: Fazer a releitura do trecho e pedir que os alunos tentem descobrir o significado daquela palavra ou expressão).
ú  Inferências locais: cismou, menopausa, TPM, gigolô, abominável, atrofiadas, Floripa, etc.
ú  Inferências globais – trabalhar com informações que completem o texto, mas não estão explícitas. Exemplo: Por que os animais têm nomes científicos? / Levando em consideração as características do avestruz, quais problemas uma pessoa teria para mantê-la em um apartamento? 
§  Confirmação de retificação das antecipações ou expectativas de sentido criadas antes ou durante a leitura.
ú  Se os alunos não compreenderem o texto lido, o professor levanta questões que os façam chegar à conclusões. (Exemplo: remeter perguntas para que todos manifestem sua opinião).
ú  O professor apresenta o texto lido situando os alunos em relação ao mesmo, compartilhando as razões pelas quais a leitura será realizada (conhecer o gênero crônica), ajudando os alunos a dirigirem sua atenção para o propósito da leitura – “ler, para quê?”.
§  Utilização de pistas linguísticas para compreensão do texto: as características da ave / comparações e semelhanças entre o avestruz e os outros animais.

DEPOIS DA LEITURA

§  Troca de impressões a respeito dos textos lidos, fornecendo indicações para sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições.
ú  Após a leitura, realizar uma roda de conversa com os alunos a respeito das suposições feitas durante a realização da leitura, o que levou cada um a pensar daquela forma, etc.
ú  Compartilhar com os alunos as qualidades textuais do texto lido – o fato de estar bem escrito, de possuir recursos linguísticos específicos do gênero, de trazer informações precisas e suas impressões sobre ele.
§  Utilização em função da finalidade da leitura e do registro escrito para melhor compreensão:
ú  Trabalhar as conjunções utilizadas no texto, suas funções e os efeitos que causam.
ú  Produção individual ou coletiva a partir do tema trabalhado.
ú  Discussão oral: Selecionar alguns alunos para produzir um resumo e questionar: Por que o menino trocou o avestruz pelas gaivotas e urubus? e Por que o narrador fez com que ele mudasse de ideia? Qual a intenção?

INTERTEXTUALIDADE
1.  Poema

Palavras de um avestruz todo gris

Arrancam-me as penas
E eu sofro sem dizer nada:
- Sou ave
Bem educada.

E, se quisesse,
Podia
Morder-lhes as mãos morenas,
A esses
Que sem piedade
Me roubam as penas que me cobrem;

E, no entanto,
Sem o mais breve gemido,
O meu corpo
Vai ficando
Desguarnecido ...

E elas,
Aquelas
Que se enfeitam, doidamente,
Com estas penas formosas
- Que são minhas!
Passam por mim, desdenhosas,
Em gargalhadas mesquinhas.

Sim; eu sofro sem dizer nada:
- Sou ave
Bem educada.

Mesmo que fosse pequena
E eu te visse pobre ou nua
- Ninguém ama a sua Pátria por ser grande,
Mas sim por ser sua!

 (António Botto)

António Tomás Botto (Concavada, Abrantes, 17 de Agosto de 1897 — Rio de Janeiro, 16 de Março de 1959) foi um poeta português. 

   
2.  Revista Recreio ou Site
§  O avestruz é a maior ave do mundo, só que não voa! Veja 10 curiosidades sobre o bicho
ú  Veja dez curiosidades sobre o avestruz, que se origina da África:

3.  Notícia – Revista Veja
§  Boi de plumas:  Já há 500 fazendeiros criando avestruz no país

4.  Livro: O avestruz valente








§  Uma “resenha” feita por um aluno sobre a história O avestruz valente, da Difusão Cultural, que era ridicularizado por todos.
ú  O livro que eu li se chama O avestruz Valente. Esse avestruz se chama Peraltino. Ele era muito desajeitado e sem graça. Todos riam dele.
O avestruz admirava os macacos e suspirava por não ser como eles. Sua mãe brigava com seu filhinho, que ele deveria olhar o que ela fazia, e não os macacos: “Corra bastante e você ficará forte!”
Recomendo este livro para pessoas que gostam de rir bastante, porque ele é muito engraçado!
§  Alessando – aluno do 7º ano